Cristovam Buarque é um dos poucos parlamentares em quem ainda acredito.
Nesse dias de campanha escrevi um desabafo sobre os métodos utilizados pelos candidatos a prefeito e vereador. Enviei para minha caixa de correio e postei na minha página do facebook. Muito interessante a repercussão. Recebi inúmeras respostas, a grande maioria comungando o mesmo sentimento. Chamou-me a atenção uma resposta que dizia ser a democracia o pior dos regimes no que imediatamente respondi inspirada no exemplo do senador Cristóvam que trancrevo aqui. Logo abaixo vai também o texto qu postei no facebook.
Senador:
Trabalho como artista visual na cidade do Recife e sou também arteeducadora e me encontro em formação de arteterapeuta. Acredito na educação como o mais importante instrumento para as verdadeiras mudanças de uma sociedade.
Não sei se minhas palavras chegarão ao seu conhecimento. Mesmo assim receba meus profundos agradecimentos por ainda manter acesa a chama dos meus ideais e minha credibilidade.
Virginia Maria Neves Baptista
Resposta a um comentário do meu texto e em anexo o texto propramante dito.
A luta ideológica dajuventude foi substituída pela luta individualista, a luta do ter e não do SER,a luta do MEU em detrimento do NOSSO. Isto provavelmente é resultado de umaeducação que mais se assemelha a uma "programação", e a democraciasem os fundamentos de uma educação de verdade se desvirtua "nisso" ecria "microditadores"detentores de um poder ( seja ele econômico oude outra natureza, haja visto o poder que os flanelinhas têm hoje) que achamque podem nos impor e nos invadir. Neste sentido, infelizmente, a democraciapode ser considerada o pior dos regimes. No entanto, e, apesar de tudo, aindaacredito nos ideais democráticos mais puros.
Texto sobre a campanha
A marca da tristeza na campanha eleitoral.
Longe o tempo em que a alegria frequentava as campanhas eleitorais. A militância empunhava bandeiras, vestia camisetas tantas vezes feitas com as próprias mãos, o que dava um colorido especial e demonstrava a confiabilidade no seu candidato. Ia-se às ruas com a cara, a coragem e o coração. Pessoas espontaneamente agrupadas acreditavam na sua atuação e animadas, manifestavam palavras de ordem, inventadas nos momentos da empolgação. Além de veicular propostas que acreditávamos sérias, as campanhas tinham a característica de inspirarem a criatividade, o contentamento, enfim, uma festa democrática.
De engajada política passo à melancólica espectadora sem partido.
Chega a ser patética a tentativa de demonstrar entusiasmo hoje. Sinto uma imensa compaixão ao prestar atenção ao rosto das pessoas, provavelmente sem a opção de um trabalho melhor, que seguram “suas” bandeiras sem a menor convicção, aguardam ansiosas o final do expediente, para poder ganhar um lanche, um pequeno almoço, alguns trocados. Semblante de credibilidade: ZERO. Motoqueiros contratados circulam num buzinaço que em nada lembram as carreatas de antes, tal a falta de empolgação. Onde se ouvia o som alegre de antes, ouça-se barulho infernal. Como se não bastasse, somos obrigados a ouvir aquelas musiquetas mal feitas, oportunistas usando o sucesso do momento, insuportáveis, algumas até são passáveis, mas de tão repetitivas tornam-se também intoleráveis, além de terem a pretensão de nos persuadir em mais essa lavagem cerebral. Impõem, invadem, perturbam desrespeitosamente nosso dia a dia, nosso sossego dominical. Essa mesma falta de respeito que reflete as atitudes da classe política para com o povo que pretende governar.
Sem falar nas imagens repetidas de tais e quais candidatos – imagens “melho(pio)radas” no photoshop em busca de uma “perfeição” que emana fealdade de museu de cera mal feito, sorrisos amedrontadores... Algumas, para piorar, de corpo inteiro fazendo, ou achando-se fazer, pose de artista global.
Perfiladas sistemática e artificialmente nas calçadas, bandeiras e cartazes dispostos obedecem não sei qual organização marqueteira e vêm confirmar o desperdício, os milhões gastos (em um país ainda faminto) apostando na falta de criatividade.
Durante a semana uma daquelas bicicletas com o som estridente gritava a musiquinha nefasta daquela novela bem debaixo da minha janela e por mais de uma hora sem tréguas: ”...Oi oi oi...vote em fulano o amigo do povo...” E que amigo!
A minha consciência política me faz perguntar: como votar, como escolher um prefeito e um vereador que supostamente serão os “cuidadores” da minha cidade, mas que optam por poluir sonora e visualmente suas ruas e praças, optam por mostrar uma cara que não possuem. Fica difícil exercer a cidadania conquistada em tantos anos de luta.
Neste domingo passado fui "agraciada" com a vizinhança de um comitê eleitoral. Algo me diz que nos próximos dois meses o inferno é aqui.
Fogos de artifício tentam dar o tom de entusiasmo à campanha de artifícios, falaciosa, alegria sem esteio.
Recife, 05 de Agosto de 2009.
Virginia Maria Neves Baptista


